A TAREFA DE ENSINAR DIREITO NO CAMPO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS - O DESAFIO DE INTEGRAR UMA COMUNIDADE EPISTÊMICA INTERDISCIPLINAR

Ester Gammardella Rizzi, Gustavo Bambini

Resumo


O pressuposto que orienta a montagem dos cursos de graduação no campo das políticas públicas é claro: para se formar um bom profissional ou um bom pesquisador da área é necessário fazê-lo transitar por diversos campos de conhecimento que, historicamente, se constituíram afastados uns dos outros. O desafio é como compreender e praticar a interdisciplinaridade intrínseca a essa proposta. Mais especificamente, como fazer com que a transição constante e necessária entre diversos campos de saber não resulte, ao final, em uma formação deficiente, quando considerada do ponto de vista de cada disciplina particular, e fragmentada, quando considerada em seu conjunto? Para indicar o núcleo do desafio da formação interdisciplinar, utilizamos o conceito de “comunidade epistêmica”, que se caracteriza pelo fato de que seus membros compartilham, em maior ou menor medida: a) uma linguagem comum, dotada de certos conceitos que se supõem aptos a descrever os objetos de estudo do campo, mas que, bem considerados, estão também construindo esses objetos de estudo; b) uma avaliação comum acerca de quais são os problemas relevantes a serem resolvidos com relação a esses objetos; c) tendência a uniformizar certas crenças básicas, pré-teóricas, que permitem estruturar o campo de estudos; d) uma visão compartilhada a respeito de quais são os métodos válidos, aceitáveis, para a abordagem e resolução dos problemas da disciplina (ZITO, 2001; HAAS, 1992). O desafio aos professores do campo de públicas reside no dilema entre se afastarem de suas comunidades de origem para forjar uma comunidade epistêmica própria, interdisciplinar, ou manter o vínculo com sua comunidade epistêmica de origem.

Palavras-chave


Comunidade epistêmica; Ensino do direito; Interdisciplinaridade; Políticas Públicas

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DOI: https://doi.org/10.21783/rei.v5i3.434

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