A FORÇA DE TRABALHO EM SAÚDE RJU NO RIO DE JANEIRO
ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE MUDANÇAS INSTITUCIONAIS NOS CONTRATOS DE TRABALHO
DOI:
https://doi.org/10.21783/rei.v12i1.989Palavras-chave:
Força de Trabalho em Saúde, Mortalidade Precoce, Remuneração, Portal da TransparênciaResumo
Esta investigação examina a dinâmica da Força de Trabalho em Saúde (FTS) com vínculo estatutário no estado do RJ e seus 14 municípios mais populosos (2014 a 2024). Supõe-se que, mesmo com a emergência de novos modelos contratuais (OSS, fundações), o segmento RJU mantém relevância estruturante, cujas características carecem de investigação. A pesquisa, se propõe a analisar: (I) a evolução temporal do quantitativo da FTS-RJU, sua distribuição (médico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem) e sua proporção relativa ao total de servidores das secretarias de saúde, educação, segurança e assistência social; e (II) o perfil transversal da remuneração, investigando a heterogeneidade entre municípios e categorias profissionais. Paralelamente, analisou-se a tendência da mortalidade precoce como indicador de desfecho em saúde, buscando correlações com as variáveis de força de trabalho e investimento. Os resultados apontam heterogeneidade remuneratória entre as categorias e municípios, com a enfermagem como o maior contingente. A educação concentra o maior efetivo de servidores estatutários, seguida pela saúde. Identifica-se uma tendência de redução de servidores RJU e expansão de contratações via OSS e fundações, acompanhada em alguns municípios por um discreto aumento na mortalidade precoce (2022-2023).
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